sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Eu era malandro e misturava maçã com abacaxi

"Saco, Saco, Saco e Cuecão, Moinhos, Salgado e Malcon." Quem tem no mínimo a minha idade deve lembrar deste jingle que azucrinava nossos ouvidos, mas que cravou na memória de todos. Saco & Cuecão era uma loja de roupa... hãããã... jovem? - acho que era assim que se dizia - e que tinha três filiais: no bairro Moinhos de Vento, na avenida Salgado Filho e na galeria Malcon. Por esta época, na segunda metade dos anos 80 do século passado (cruzes, século passado!), eu estava saindo do colégio e entrando na faculdade. Mas quando comecei a estudar Jornalismo eu já tomava muito suco no subsolo da Malcon e torrava minha mesada em vinis, aqueles objetos de formato circular e pretos que, atritados por uma agulha, reproduziam músicas. Na verdade, os discos eu comprava mesmo era em outra galeria, na Chaves. Na Malcon eu ia tomar sucos. Naquela década, o Brasil mergulhava na onda da geração saúde, culto ao corpo, alimentação saudável e esses papos todos com gosto de granola. Me lembro que, na faculdade, a Lena, figura história da Fabico, fazia umas tortas integrais meio malucas. Umas massas escuras e secas, mas todos comíamos bem felizes. Voltando à Malcon: eu era bem malandro - misturava frutas nos sucos. Uau!! Maçã com abacaxi. Cenoura com laranja. Ok, cenoura não é fruta, mas era natureza pura, portanto, estava no cardápio.

Fonte: http://cacto.zip.net/arch2005-04-17_2005-04-23.html

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Gincana

As gincanas andam meio fora de moda por estes tempos. Lembro que, no tempo em que roupas fashion (que na época não se chamavam fashion, e sim roupas trique-trique-rolimãs) eram vendidas no Saco & Cuecão (!), existia a gincana Hipo Imcosul. Um evento que mobilizava a cidade mais que culto evangélico no anfiteatro Por do Sol em dia de passe livre. O frenesi de bandos de gente se submetendo a pedidos como juntar o maior número possível de tampinhas com figurinhas da série Amar É... (um dia faço um post sobre as educativas tampinhas de garrafa do fim dos anos 70 - aguarde), traduzir um texto do aramaico pro papiamento, ou encontrar um dinamarquês anão celibatário parece que passou. Provavelmente porque de urgências urgentíssimas e prazos apertados tá todo mundo por aqui. Ninguém mais tem saco (com ou sem cuecão) pra ficar ainda mais estressado. E as empresas e instituições deixaram de promover as tais gincanas.

Fonte: http://www.e-familynet.com/phpbb/viewtopic.php?t=163832

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Aquela outra Floripa | 1980


Recordar o primeiro show de Lulu Santos em Floripa é tocar no último grande momento de pureza da cidade. É lembrar de uma geração power & flower que não teve sucessora. É lembrar da Turma do Kioski, do bar do Chico na Joaca, do Beto Stodieck morando na Lagoa,  do festival e do jornalzinho  Rock, Surf e Brotos do Cacau Menezes e Ricardinho, do DJ Tuca, da boate Dizzy, do Fernando Fontes, do Paulo Dutra, da Bia Rosa, das cocotas do Doze e das mariposas do Paineiras, da lojinha "De tudo um Pouco", da boutique Marrocana, do Big Bravos e Iron bar, do Felipe e do Pedroca, do Toló, Ivanzinho e Agenor... Do Agapito, do jogo de palitó, dos porres do Coral na praia, do Sidney Lenzi, da Le 88, do  Schmitão e do Beaco. Que saudade, meu irmão...

O primeiro show fora do Rio
Cacau gostava muito de ir ao Rio de Janeiro desde quando se descobriu por gente. Virei logo torcedor do Botafogo e fã do Nelson Motta, tudo que eu queria ser quando crescesse. Nelsinho era apresentador de um programa na Globo, o Sábado Som, onde exibia clipes e falava de música, shows, artistas, festas. Tive a felicidade de poder trazê-lo para um grande show no aterro da Baía Sul, o Ginga Brasil, em 1980. E aí ficamos amigos. Até hoje. Numa de minhas idas ao Rio de Janeiro, Nelson Motta estava namorando uma vocalista da Gangue 90 e as Absurdetes. E era amigo do líder da banda, Júlio Barroso, que logo depois se suicidou. Era muito louco. Passamos uma noite no seu apartamento da Joaquim Nabuco, ele com a loira, eu com meus amigos de Floripa, mas todos juntos. E daí pintou a idéia de trazer a Gangue para um reveillon em Floripa e um tal de Lulu Santos. Como eu já era bem relacionado aqui na cidade,  trabalhava na RBS-TV e fazia minhas festas, aceitei a sugestão do Nelsinho e trouxe o Lulu Santos para seu primeiro show em Floripa. 

Que, por coincidência, foi também o seu primeiro show fora do Rio. Lulu só tinha uma música tocando no rádio, "De leve", uma versão superdançante que fez para Get Back, dos Beatles. Virou logo um hit. E foi por causa de uma música só que veio e lotou o Vegas bar numa noite de verão de 1980. Que delícia!  Que saudade! O baterista era ninguém menos do que Lobão. E o baixista Marcelo Sussekind, que depois foi para a Blitz. O patrocínio era do Saco & Cuecão, segmento de roupa jovem da rede Alfred. Lulu Santos era namorado da jornalista Scarlet Moon, que em Floripa era mais conhecida do que ele, via revista Interwie, que o Beto Stodieck vivia badalando. O que fazia sucesso no Rio, Floripa adotava na hora. Lulu, a mulher e os músicos ficaram hospedados no Querência Palace Hotel, de saudosa memória.